Uma vez, Noel confessou: "Eu tinha um objetivo (...) de conquistar, de golpe, com uma única melodia, o coração das ruas e a alma da cidade. Queria que os meus ritmos dominassem, que eletrizassem os músculos, que influíssem decisivamente no movimento das multidões".**

De qualquer modo, sua boa formação cultural e sua inteligência permitiram que ele se tornasse um sambista especial. Noel Rosa introduziu a sofisticação no gênero, sem abandonar a simplicidade e a empatia com o público. Por isso, teve um grande reconhecimento na sua curta carreira, que durou até seus 26 anos, quando morreu de tuberculose.

"Agora eu já não ando mais fagueiro

Pois o dinheiro

Não é fácil de ganhar.

Mas eu sendo um cabra trapaceiro

Não consigo ter nem pra ganhar.

Eu já corri de vento em popa

Mas agora, com que roupa?

Com que roupa eu vou

No samba que você me convidou?"

("Com que roupa?")

Dizem que este foi o maior sucesso do carnaval de 1931. O próprio Noel Rosa disse sobre essa canção: "Foi um barulho. Todo mundo cantou. É assim que eu faço as minhas coisas. Com situações, episódios, emoções, aspectos colhidos na vida real".**

É que esta canção foi composta quando Noel Rosa já estava na faculdade, mas saía toda noite para farrear com os amigos. Sua mãe ficou preocupada e escondeu todas suas roupas, para tentar parar com essa mania.

Grande parte dos compositores brasileiros que vieram depois de Noel Rosa foram influenciados por suas criações. Um de seus maiores fãs é Chico Buarque, que, como Noel fazia, compõe melodias bonitas e ao mesmo tempo trabalha suas letras com muito cuidado.

* Citado em Literatura Comentada/ Noel Rosa, João Antônio Ferreira Filho, Nova Cultural
**Citado em Sambistas e Chorões, de Lúcio Rangel, Livraria Francisco Alves, 196


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