A REVOLUÇÃO QUE ERA LOBO EM PELE DE CARNEIRO
Rapidinho os brasileiros perceberam que a Revolução do
Porto tinha enganado a todos : era muito legal para Portugal, com idéias
revolucionárias e tudo o mais, mas era extremamente conservadora
para o Brasil. As Cortes começaram a querer recolonizar o Brasil
e acabar com essa história de Reino Unido.
Para isso, enviaram tropas ao Rio de Janeiro, a capital na época,
acabaram com vários órgãos políticos que
d. João VI havia criado e nomearam governadores para nossas províncias
(ainda não havia estados). Além disso, já bolavam
uma forma de reatar o pacto colonial e acabar com a festa da abertura
dos portos.
Todos ficaram muito bravos com essas medidas-caranguejo (que andam
para trás), mas d. Pedro continuava bem quietinho no seu canto.
Logo
a oposição brasileira à Portugal começou
a se organizar para impedir a recolonização. Mas ainda
ninguém falava em independência. O Brasil se dividiu em
dois grandes grupos: a "facção portuguesa", que estava
de acordo com a recolonização, e o "partido brasileiro",
que não queria isso de jeito nenhum.
As duas estavam sempre brigando e tentando ganhar as graças do
Príncipe, que se divertia com tanta bajulação (era
um príncipe muito vaidoso). Por tudo isso, as Cortes ficaram
preocupadas e mandaram uma carta exigindo expressamente a volta de d.
Pedro a Portugal, com a desculpa de que ele tinha de acabar seus estudos
lá na Europa.
E quem disse que D. Pedro caiu nessa? Foi quando aconteceu o famoso
Dia do Fico!